A ATP anunciou nesta quinta-feira (15) um pacote de propostas que pretende ampliar significativamente a remuneração dos tenistas e reformular tanto o calendário quanto o sistema de pontuação do circuito masculino a partir de 2028. A iniciativa prevê elevar os pagamentos totais aos jogadores a US$ 350 milhões (cerca de R$ 1,77 bilhão), valor que não inclui as premiações distribuídas pelos quatro torneios de Grand Slam.
O movimento surge em resposta a críticas recorrentes sobre a duração da temporada, que ocupa praticamente 11 meses do calendário anual, e à pressão dos atletas por uma fatia maior das receitas geradas pelo esporte, além de melhores condições estruturais para competir ao longo do ano.
Mais dinheiro, novo fundo de previdência
Entre as medidas apresentadas pelo presidente da ATP, Andrea Gaudenzi, está o aumento do fundo de bônus do circuito, que passaria de US$ 21,5 milhões para US$ 50 milhões (de aproximadamente R$ 108,6 milhões para R$ 252,5 milhões). A entidade também propõe destinar US$ 25 milhões (R$ 126,25 milhões) aos 250 melhores tenistas ao fim da temporada, além de investir US$ 30 milhões (R$ 151,5 milhões) anuais em um fundo de previdência voltado a 300 jogadores.
Em carta aberta divulgada nesta quinta, Gaudenzi defendeu a necessidade de o esporte seguir evoluindo mesmo em um momento de força. "O tênis está em uma posição forte hoje. Nossos torneios continuam crescendo, os fãs estão se envolvendo com o esporte de mais maneiras do que nunca e os ganhos dos jogadores atingiram níveis recordes. Para continuarmos fortes, o esporte precisa seguir evoluindo", escreveu o dirigente italiano, que acrescentou: "Temos a responsabilidade de fortalecer a competição, alinhar melhor os incentivos e ampliar o apoio a mais jogadores, ajudando-os a lidar com os custos de competir no circuito".
Sujeito a novas consultas e à aprovação final, o valor destinado diretamente aos jogadores pela ATP deve superar US$ 100 milhões (R$ 505 milhões) a partir de 2028. Somando premiações e participação nos lucros, a remuneração total projetada chegaria aos US$ 350 milhões anunciados.
Calendário mais previsível e ranking repensado
A ATP também pretende dar maior peso aos resultados obtidos nos principais torneios na hora de calcular o ranking, reduzindo o incentivo para que tenistas corram atrás de pontos em eventos menores após desempenhos ruins nas competições de maior relevância. A proposta busca, segundo a entidade, alinhar melhor o esforço competitivo com a hierarquia real do circuito.
Outra frente da reforma prevê organizar o calendário em semanas específicas para cada categoria de torneio, tornando a temporada mais clara tanto para jogadores quanto para o público. O novo Masters 1000 projetado para a Arábia Saudita será incorporado a essa estrutura, embora a ATP tenha reforçado que os tenistas continuarão livres para escolher em quais torneios competir.
As mudanças também respondem a queixas antigas sobre o desgaste físico provocado pela sequência intensa de compromissos. Jogadores vêm argumentando que a agenda atual deixa pouco espaço para recuperação adequada, elevando o risco de fadiga crônica e lesões ao longo da temporada.
Duplas sob revisão e reação dos jogadores
A ATP informou ainda que vai revisar a estrutura das competições, incluindo possíveis alterações no tamanho das chaves de duplas. Caso haja redistribuição de premiações nessa modalidade, os recursos poderiam ser direcionados às fases classificatórias e às primeiras rodadas das chaves de simples.
O tema é sensível: no início deste ano, jogadores de duplas já haviam reagido mal a propostas de redução nas chaves, episódio em que a entidade justificou a necessidade de buscar um modelo mais sustentável para o futuro da especialidade.
Reeleito até 2028, Gaudenzi mira próxima geração de fãs
Reeleito em fevereiro para um terceiro mandato à frente da ATP, válido até 2028, Gaudenzi afirmou que as propostas têm o objetivo de ajudar os jogadores a planejar melhor suas temporadas, valorizar o desempenho nos torneios mais importantes e ampliar o suporte financeiro em toda a extensão do circuito. Segundo ele, as discussões seguirão com os conselhos consultivos de jogadores e torneios, além da diretoria da entidade, com a expectativa de um pacote final ser apresentado nas reuniões de encerramento de temporada, em Turim.
"O OneVision já ajudou a fortalecer nosso circuito e o tênis. A próxima fase é uma oportunidade de tornar a temporada mais coerente para jogadores e fãs e garantir que o crescimento do esporte crie oportunidades em todo o circuito", disse Gaudenzi, que resumiu a ambição por trás do pacote: "Nosso foco imediato é o ATP Tour, mas a ambição vai além: garantir que o tênis vença a disputa pela próxima geração de fãs".